O medroso

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Caminho escuro, aberto à sombra de espinheiros

Rugidores ao vento a uivar como um cachorro...

E o André tinha que vir dos engenhos no morro,

Deixando para trás, na safra, os companheiros.

E desceu, o rapaz, ora a passos ligeiros,

Ora com lentidão. Noite alta. Nem um jorro

De luz pela amplidão... E o André, metido o gorro

Ao sovaco direito, alou, galgando outeiros...

Mas afinal, parou, na encruzilhada, a custo...

E, para dominar o miserável, susto,

Começou a cantar, banhado de esperanças.

E, chegado que foi à casa, o pai lhe disse:

— Enquanto fui rapaz, nunca fiz a tolice

De acordar, desse jeito, os velhos e as crianças!