O MEL DE MARIBONDOS
Sempre ao mel se deu apreço,
e era tido por seleto
o que se colhia no Hibla,
e o fabricado no Himeto.
Mil poetas celebraram,
qual néctar, o mel de abelha,
e entre esses panegiristas
Horácio não tem parelha.
Isto foi nos tempos idos,
foi lá pela velha Europa;
outro mel no Brasil temos,
mais digno da mesa e copa.
E os vates nacionalistas,
e semibugres na fala,
ou ignoram tal doçura,
ou não sabem decantá-la!
Um quinau pretendo dar-lhes
porque vão caminho errado;
se minha voz for ouvida,
será o erro desterrado.
Muito elogio ganharam,
após jantares e ceias,
os encerados cortiços,
misteriosas colmeias.
Não são menos engenhosos
os palacetes redondos,
aos quais a plebe dá o nome
de casas de marimbondos.
E o mel tão fino e tão puro
da útil brasília vespa
não terá em seu abono
qualquer frase lisa ou crespa?!
Celebrai, pátrios cantores,
(e este assunto é todo nosso)
o mel que não é de abelha,
e fazei o que eu não posso.
Analisai o processo
da suavíssima cresta,
cujo labor produtivo
em hora fresca não presta.
Pois da vespa a ferroada,
quando o sol está mais quente,
faz que o gênio brasileiro
seja menos indolente.
E o Brasil industrioso,
exportando mel tão raro,
nas cidades Europeias
pode vendê-lo bem caro.