O melhor casamento
E ela, Valésia, urdia, em grandes bastidores,
Ora um peito de crivo, ora rodas de saia;
E outras vezes urdia, a olhar, da porta, a praia,
Toalhas para o altar da Senhora das Dores.
Vinha gente da vila e de outros arredores,
Para vê-la no crivo, à hora em que o sol desmaia,
Flechando, em arcos de ouro, a torre da atalaia,
Detrás da qual surgia o Paulo e os pescadores.
E na ermida, de noite, ei-la uma vez de joelhos,
A olhar Nossa Senhora e a lhe pedir conselhos,
Quando de leve ouviu uma voz soluçar:
“Valésia, o mais feliz e melhor casamento,
Faz-se na catedral azul do firmamento,
Entre almas brancas como as praias desse mar.”