O meu ideal

By Delminda Silveira de Sousa

No porte a distinção nobre e correta,

cheia da graça natural que encanta;

nos olhos — doce luz que me aquebranta,

— um reverbero d’alma de Poeta.

Como o canto materno que aquieta

febril infante co’a harmonia santa,

derrama a sua voz doçura tanta,

que a negra dor não mais minh’alma afeta.

Tudo o que eu penso, vejo em seus pensares;

prefere o gosto seu tudo qu’eu amo;

são como os meus seus íntimos pesares...

e eu — louca, louca! — o meu ideal — lhe chamo!

mas se existe a visão dos meus sonhares,

embalde em seu amor meu peito inflamo!...