O meu lar

By Delminda Silveira de Sousa

Rico de afetos, cheio de doçura,

foste, ó meu lar — jardim de meigas flores;

minha mãe era o anjo dos amores,

e minha irmã a flor mais bela e pura.

Tanta paz, tanto amor, tanta ternura

os meus dias tornavam sedutores;

e que esperanças, meu Deus! e que esplendores

no meu porvir mostrava-me a ventura!...

Mas, foi tudo ilusão! tudo deixou-me!

e todos que amei despareceram,

só a lembrança vívida ficou-me!...

E eu, entre as saudades que nasceram,

choro na solidão que atroz restou-me,

O meu lar — os meus sonhos que morreram!...