O MEU NIRVANA

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

No alheamento da obscura forma humana,

De que, pensando, me desencarcero,

Foi que eu, num grito de emoção, sincero,

Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,

Onde a Vida do humano aspecto fero

Se desarraiga, eu, feito força, impero

Na imanência da Ideia Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora

Do tato — ínfima antena aferidora

Destas tegumentárias mãos plebeias —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,

De haver trocado a minha forma de homem

Pela imortalidade das Ideias!