O meu sonho

By Delminda Silveira de Sousa

Ah! tudo o qu’eu sonhei na doce primavera

do meu viver feliz, foi tudo uma ilusão!

julgava ser amada... Oh! dúlcida quimera!

pensava amar também... e não amava... Oh! não!

Julgara amar porque, no meu sonhar tão doce,

pensava ter achado a vida do meu ser;

— uma alma irmã da minha —, um anjo que me fosse

amparo e guia meu na senda do viver!

Ah! pobre coração!... ai Tântalo sedento

ouvindo o murmurar d’arroio fugidio!

Embalde o desejaste... embalde! o teu tormento

só tenhas num deserto extenso, árido e frio!...

Que resta ao viajor perdido, fatigado,

na triste solidão, sem norte, sem ventura

ter sequer um dia, uma hora descansado

em oásis gazil de flores e verdura?

Ai! tudo o qu’eu sonhei na doce primavera

do meu viver feliz — foi tudo uma ilusão!

Amor — suave engano! Oh! dúlcida quimera!

Julguei-te a flor do Céu, tu foste a ingratidão!