O orgulho

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ei-lo que chega, o rei Sardanapalo,

Com toda sua excelsa vassalagem.

Unta-lhe as botas prateadas um vassalo,

E outro lhe dá perfumes bons à imagem.

Muitas são as pessoas que a cavalo

Chegam! Todas repletas de voragem,

Para vê-lo glorioso, e acompanhá-lo,

Que o rei chegou de flórida viagem.

Mas que ilusão tristíssima, nefasta,

O eterno rei Sardanapalo arrasta!

Pois não há quem não veja em torno dele,

Senão sapos coaxando, e frias lesmas;

Almas nojentas, neste mundo — as mesmas

Que amam a quem de um rei só tem a pele!