O POETA DO HEDIONDO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Sofro aceleradíssimas pancadas

No coração. Ataca-me a existência

A mortificadora coalescência

Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,

Eu sinto, então, sondando-me a consciência,

A ultra-inquisitorial clarividência

De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!

Ah! Certamente eu sou a mais hedionda

Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho

Cantando sobre os ossos do caminho

A poesia de tudo quanto é morto!