O pranto

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Vives voltado simplesmente às dores;

E das dores te envolves no sudário

De atras, sombrias, magoadas flores,

Com o coração nas ânsias, solitário.

Solitário nas ânsias, os fulgores

Do mundo amargo, deste mundo vário,

Deixas rolar como senectas flores;

E a tua vida tange a campanário.

Somente as dores ao teu ser humano

Dão com certeza o sacrossanto arcano

Da doce paz que o belo céu recolhe.

Faz-se mister que ao teu olhar, no entanto,

Para purificar-te, suba o pranto,

E esse teu coração nele se molhe.