O pranto da virgem
A perla brilhante
que a concha formosa
dos mares, vaidosa,
no seio ocultou,
não tem os encantos
da lágrima pura
que a doce ternura
da virgem formou.
A límpida gota
que a noite sentida
lá deixa escondida
no seio da flor,
não tem a poesia
da lágrima bela
que verte a donzela
no sonho de amor.
Aljofar mimoso
De brilho sem par
No rico colar
Da noiva risonha,
Não tem a beleza
Da perla que oscila
Na triste pupila
Da órfã tristonha...
— O pranto da virgem —
é puro, é sagrado
qual hino entoado
bem junto de Deus!
É grato perfume
de meiga violeta
que a brisa faceta
derrama nos Céus!