O PROGRESSO DAS CIÊNCIAS
A vista perspicaz, audaciosa
Do homem inteligente
Insondáveis arcanos investiga,
E o progresso contínuo
Das artes, das ciências é notável.
A férvida caldeira
Da vaporosa barca que retalha
As encrespadas ondas;
O delicado arame, o fio elétrico
Que transporta a palavra
Através de milhões de extensas léguas
Num átomo de tempo,
— Ainda ontem ficções, já hoje fatos —
São argumentos firmes
Das luzes que dimanam do progresso.
Rendem-se os elementos
À potência do gênio que os conquista
Devassa e descortina;
E toda a natureza transparente
Tem de ser despojada,
Em breve, dos mistérios que a enriquecem,
Mais do que seus tesouros!
Supões que assim será, mortal intrépido?
Quanto são enganosos
Teus cálculos melhores, teus projetos!...
Ali não vês Pompeia,
A secular Pompeia sepultada
Sob montão de ruínas?!
Com ela se perderam muitas páginas
Do livro das Ciências!
A lei da Providência é quem demarca
Até que ponto avance
O Sábio no caminho do progresso,
E quando toca a meta
Que prescreve, inflexível diz-lhe: — Basta! —
Não sigas, temerário;
Daqui avante está Babel confusa!