O PROGRESSO DAS CIÊNCIAS

By José Joaquim Correia de Almeida

A vista perspicaz, audaciosa

Do homem inteligente

Insondáveis arcanos investiga,

E o progresso contínuo

Das artes, das ciências é notável.

A férvida caldeira

Da vaporosa barca que retalha

As encrespadas ondas;

O delicado arame, o fio elétrico

Que transporta a palavra

Através de milhões de extensas léguas

Num átomo de tempo,

— Ainda ontem ficções, já hoje fatos —

São argumentos firmes

Das luzes que dimanam do progresso.

Rendem-se os elementos

À potência do gênio que os conquista

Devassa e descortina;

E toda a natureza transparente

Tem de ser despojada,

Em breve, dos mistérios que a enriquecem,

Mais do que seus tesouros!

Supões que assim será, mortal intrépido?

Quanto são enganosos

Teus cálculos melhores, teus projetos!...

Ali não vês Pompeia,

A secular Pompeia sepultada

Sob montão de ruínas?!

Com ela se perderam muitas páginas

Do livro das Ciências!

A lei da Providência é quem demarca

Até que ponto avance

O Sábio no caminho do progresso,

E quando toca a meta

Que prescreve, inflexível diz-lhe: — Basta! —

Não sigas, temerário;

Daqui avante está Babel confusa!