O QUE FAZ MINHA DOR

By Laurindo José da Silva Rabelo

Um pensamento de morte,

Uma lembrança de amor,

Uma esperança perdida,

Eis o que faz minha dor!...

Tive no mundo da mente

Formosos dias serenos,

Como os do céu sempre amemos

Em doce paz inocente.

Dos desgostos a torrente

Em um rápido transporte,

Por má vontade da sorte,

Me fizeram num momento

Do meu feliz pensamento

“Um pensamento de morte!”

A minha alma escureceu-se

Do pensamento nublada,

E a mente desnorteada

Em negro caos converteu-se!

Um mar de pranto — estendeu-se

Naquele mundo de horror;

E no medonho fragor

Da tormenta desabrida

Vaga nas ondas, perdida,

“Uma lembrança de amor!”

Cresce a celeste batalha,

E na vasta escuridade

Sem cessar, da tempestade

O raio o manto retalha

A flutuante mortalha,

Vaga sempre! Convertida

Aquela idéia de vida

Num sudário desta sorte,

Retrata, emblema da morte

“Uma esperança perdida.”

Em pé firme e solitária,

Minh’alma fora insensível

À tempestade terrível,

Contínua, crescente e vária!...

Mas a veste mortuária,

Que das ondas vai na flor,

Mortalha do meu amor,

Dantes saudosa lembrança...

Hoje perdida esperança...

“Eis o que faz minha dor!...”