O remorso

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Deve ter asas negras, tenebrosas,

Esse nefasto e trágico morcego

Que, à noite, desce às almas criminosas

Que procuram nas trevas um sossego.

Visão, dentre as visões misteriosas,

Desce do mais indescritível pego,

Avassalando as ânsias silenciosas,

Roubando a tudo os mantos de aconchego.

Mas, mesmo assim, por toda a imensidade,

Quem ao remorso negará piedade;

Quem ao remorso negará o intento

De nos levar, na curva dos seus braços,

A alma plena de mísero cansaço,

A luz formosa do arrependimento?