O rio

By João da Cruz e Sousa

O rio em turbilhões ei-lo crescendo...

E no seu leito as largas forças vivas

Das profundas correntes impulsivas

Como o sangue na artéria vão fervendo.

No arrebatado cachoeirar tremendo

Florestas de hera, tinhorões, esquivas

Plantas e troncos de árvores altivas

Vão sobre o rio desaparecendo.

Tudo o rio consigo arroja e arrasta

E a natureza vegetal devasta

Nos explosivos borbotões das águas.

Tal os meus sonhos límpidos e amados

Rio abaixo também foram levados

Pela corrente indômita das mágoas.