O RISO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

O Riso — o voltairesco clown — quem mede-o?!

— Ele, que ao frio alvor da Mágoa Humana,

Na Via-Látea fria do Nirvana,

Alenta a Vida que tombou no Tédio!

Que à Dor se prende, e a todo o seu assédio,

E ergue à sombra da dor a que se irmana

Lauréis em sangue de volúpia insana,

Clarões de sonho em nimbos de epicédio!

Bendito sejas, Riso, clown da Sorte

— Fogo sagrado nos festins da Morte,

— Eterno fogo, saturnal do Inferno!

Eu te bendigo! No mundano cúmulo

És a Ironia que tombou no túmulo

Nas sombras mortas dum desgosto eterno!