O SALGUEIRO

By Gustavo de Paula Teixeira

Não logrando acalmar o ódio dos insensatos

Que uivavam em redor do cândido Cordeiro,

Ordenou ao Lictor, então Pôncio Pilatos,

Que o mandasse açoitar, despido o corpo inteiro.

E atado a uma coluna o Mestre, entre os maus tratos

E as vociferações do bando carniceiro,

Sem que batesse um só dos corações ingratos,

Fez-se a flagelação com ramos de salgueiro...

Desde então ficou sendo essa árvore a mais triste

E a mais digna de dó que neste mundo existe,

Curvada como Cristo a arfar com o Lenho às costas.

Sempre e sempre a chorar o seu viver mesquinho,

Nunca mais o infeliz pode embalar um ninho

Nem contemplar o céu, rezando, de mãos postas!