O SINAL
Tinha uma pinta na coxa
A mulher do Nicolau:
Ela gorda, era uma trouxa,
Ele magro — um varapau.
A mulher era de truz,
O marido era um bocó;
Por qualquer cousa, Jesus!
Havia forrobodó.
A vizinhança tremia
Quando a mulher se enfunava,
O Nicolau se escondia,
Ela saía... e pintava...
Um dia ficou sozinho
Nicolau aos prantos e ais,
Triste como um bacorinho...
A mulher não voltou mais.
Pôs anúncios nas gazetas,
Foi ao chefe de polícia,
Ouviu mentiras e tretas,
Mas ninguém lhe deu notícia.
Até que um sujeito mau,
P’ra vê-lo ficar na tinta,
Diz-lhe: “Vi-a, Nicolau:
Conheci-a pela pinta.”