O SONETO

By José Joaquim Correia de Almeida

O soneto é para mim

Caminho pra minha roça;

Nos quartetos e tercetos

O meu estro se remoça.

Já fiz um soneto digno

De luminárias eternas:

Se não foi soneto, foi

Bicho de quatorze pernas.

Era no conceito e metro

Um soneto bem agudo,

Que neste gênero e classe

Está acima de tudo.

Tão sublime produção

Abarrota-me de orgulho;

Té no conselho dos Deuses

Excita grande barulho.

Minerva revira os olhos.

Desmaia, perde os sentidos;

Mercúrio coça a cabeça,

Apolo tapa os ouvidos.