O SONETO
O soneto é para mim
Caminho pra minha roça;
Nos quartetos e tercetos
O meu estro se remoça.
Já fiz um soneto digno
De luminárias eternas:
Se não foi soneto, foi
Bicho de quatorze pernas.
Era no conceito e metro
Um soneto bem agudo,
Que neste gênero e classe
Está acima de tudo.
Tão sublime produção
Abarrota-me de orgulho;
Té no conselho dos Deuses
Excita grande barulho.
Minerva revira os olhos.
Desmaia, perde os sentidos;
Mercúrio coça a cabeça,
Apolo tapa os ouvidos.