O SONHO
Depois que à luz de trêmula candeia
Entre os pobres lençóis me revolvia,
E ao cérebro dormente já subia
O grosso fumo da indigesta ceia;
Brilhante sonho na enganada ideia,
Por maior mal, venturas me fingia;
Fez-me entrar na real secretaria,
Fez-me logo deitar sege à boleia;
Pôs-me na sala um espaldar comprido.
Um válido lacaio em camisola,
E um correio com chapa no vestido:
Eis que soa na porta a dura argola;
Foge-me o sonho, acordo espavorido,
Era um rapaz que vinha para a escola.