O sonho do astrólogo

By João da Cruz e Sousa

As fulgurosas, rútilas estrelas

Como mundos de mundos seculares,

Formando uns arquipélagos, uns mares

De luz — como eu deslumbro o olhar ao vê-las.

Ah! se como eu sei compreendê-las,

Sentir-lhes os seus filtros salutares,

Pudesse, da amplidão fria dos ares

Arrancá-las, na mão sempre trazê-las;

Que vagalhões de assombros palpitantes

Não me viriam perpassar, faiscantes,

Dentro do ser, nuns doutros murmúrios.

Eu saberia muito mais a causa

Da evolução que nunca teve pausa,

Que é uma audácia transbordando em rios.