O tio Antônio

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Muito velhinho, o tio Antônio já nem pode

Caminhar como há três anos, pelo caminho...

Uma doença atroz, inclemente, lhe acode

À perna esquerda e ao braço. Ai! pobre do velhinho!

Mas, quando a tarde é calma, uma idéia o sacode,

Dá-lhe o rubro vigor de uma taça de vinho.

E ele, então, pachorrento, a rir, repete: “Amode

Que estou melhor”. E desce à praia, num carrinho.

Mas o que vai fazer, na praia? Quem soubesse!

Ora, imaginem só! Logo que a tarde desce,

O tio Antônio vai rezar as ladainhas

Que jamais esqueceu, em sua mocidade,

Quando, numa baleeira, à hora da Trindade,

Saía para o mar, à pesca das tainhas...