O viajor da vida

By Delminda Silveira de Sousa

Turbado e triste o olhar, pendida enuviada

a fronte, incerta o passo, a caminhar sem Norte,

seguia o viajor da vida pela estrada

abrupta e fatal, que lhe traçara a sorte.

Que imensa solidão sem nada que o conforte!

Parar... mas, para o quê?... prossegue a caminhada:

impele-o o turbilhão (é força que o suporte)

ao mundo sem piedade, à vida amargurada!

Mas... súbito, parou!... Consoladora e pura,

avista no sarçal, mostrando-lhe a ventura,

os risos, a esperança — uma singela flor.

Sorriu-se o viageiro... e a alma sequiosa

no seio virginal da terna flor mimosa

encontra alfim o mel do mais perfeito amor!