O VÍSPORA

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

A mesa era grande, tanto

Que por melhor que eu a pinte,

Não creem que em cada cauto

Cabiam perto de vinte.

Jogam pares; cada moço

Tem ao lado uma menina,

E jogam num alvoroço,

Que ninguém com o jogo atina.

— “32!” — “Silêncio!...” — “Diga!

Que pedra saiu agora?”

— “Cala a boca, rapariga!”

— “Nunca joguei tão caipora!”

— Vispora! — exclama um sujeito;

Mas, passada a exclamação,

Encosta na mesa o peito,

Dorme em cima do cartão.

Um velho em frente, um velhote,

Barbado, um velho sisudo,

(É preciso que se note),

O velho percebeu tudo.

O sujeito o cobre mama

E em breve, ó tu que me lês,

— “Vispora!” outra vez exclama,

E o velho diz: — “Outra vez?!...”