Ocaso triste

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ocaso triste! Há violetas magoadas

Nas lonjuras do céu, e goivos há na altura

Das montanhas, ao pé das águas, debruçadas;

Espelhando no mar toda a sua verdura.

Ao correr do areal poeirento das estradas

Cruzam, tingindo o ar de agoirenta negrura,

As asas dos anus — todas aceleradas,

Numa atra procissão de infinita amargura.

Ao sopé de uma cruz erguida numa praia,

Uma mulher soluça, e entre anseios desmaia;

Fecha os olhos à dor, e ergue-se ao céu divino...

Há um silêncio enorme em derredor de tudo.

E até o próprio mar tornou-se quedo e mudo,

Para escutar a voz nostálgica de um sino.