Ocaso triste
Ocaso triste! Há violetas magoadas
Nas lonjuras do céu, e goivos há na altura
Das montanhas, ao pé das águas, debruçadas;
Espelhando no mar toda a sua verdura.
Ao correr do areal poeirento das estradas
Cruzam, tingindo o ar de agoirenta negrura,
As asas dos anus — todas aceleradas,
Numa atra procissão de infinita amargura.
Ao sopé de uma cruz erguida numa praia,
Uma mulher soluça, e entre anseios desmaia;
Fecha os olhos à dor, e ergue-se ao céu divino...
Há um silêncio enorme em derredor de tudo.
E até o próprio mar tornou-se quedo e mudo,
Para escutar a voz nostálgica de um sino.