ODE

By Tomás Antônio Gonzaga

Se entre as louras areias

Do meu Jaquitinhonha, um Gênio erguido

Às Regiões alheias

Manda que em doce metro repetido

Hoje o teu nome leve,

Tanto à virtude, meu Beltrão, se deve.

Vejo a sórdida inveja

De ira morder-se, e as serpes sacudindo,

Por se tragar forceja;

De pejo e de vergonha em vão cobrindo

Co’as frias mãos ao rosto,

Geme a calúnia no mortal desgosto.

Vós, Gênios fortunados,

Que do Templo da Glória honrais a estância,

Os méritos sagrados

Cantai do bom Ministro: a constância,

A sábia fortaleza

É quem o guia na maior empresa.

Se os rígidos palmares

Da Idumeia consulto, o bravo Noto,

Os tormentosos ares

Não podem mais dobrá-los: zomba, imoto,

Nem às ondas tem medo,

Sobranceiro ao Egeu, firme penedo.

Tal a constância tua

Em meio foi dos pérfidos rumores;

A verdade, que, nua,

Derramava em teu rosto as vivas cores,

Sobre as aras decentes

Por triunfo mil troféus pendentes.

A vigilância, o zelo,

A retidão do espírito, elevada

Ao grau mais rico e belo,

Essa virtude, que nos traz provada

Em meio dos Tesouros

A sã virtude, que enobrece os Louros:

Tudo, tudo aparece,

Sábio Ministro, da vitória ao lado;

Atenas, que me oferece

No seu público Erário acreditado

Aristides, o justo,

Em ti acena o seu modelo augusto.

Mil vezes orgulhosa

Negra calúnia o seu desterro tenta;

A virtude preciosa

Contra o fero Temístocles sustenta,

Não há força que baste,

Não há poder que o peito lhe contraste.

Feliz o Rei, o Povo,

Feliz também de Têmis a balança

De um modo raro e novo

Nas tuas mãos eu vejo que descansa;

Aos prêmios, ao castigo

Se reparte sem queixa o braço amigo.

Ah! sinta a nossa idade

De um sangue ilustre, de um talento raro

A próvida igualdade!

Melhor do que nos mármores de Paro,

Em memória aos vindouros

T’ergue o Serro um Padrão nos seus Tesouros.