OFERTA BARATA E CORRIQUEIRA

By José Joaquim Correia de Almeida

— Foste à corte? — De lá venho.

— E trazes fazenda boa?

— Fazenda má eu não tenho,

pois não compro cousa à toa.

— Qual a casa em que compraste

o sortimento que trazes?

— Noutra melhor não entraste,

nem pechincha melhor fazes.

— Compraste à vista ou a prazo?

Lá isso é indiferente;

nunca me apanha em atraso

o cometa impertinente.

— És um freguês de mão cheia!

E que obséquios recebes?

— Caluda! Não ’stou de veia,

e tu mui bem o percebes.

— Tens tido dádiva certa...

— Isso agora o que te importa?

Recebo em Dezembro a oferta

de uma folhinha de porta.