Olhando o passado

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Olho o passado e como a vida me parece

Formosamente azul! Vejo-a em redor de mim

Com a mesma pureza. O sol é o mesmo. Desce

Sobre a minha cabeça um manto de cetim.

A lua encantadora é flor que não fenece

No meu peito infantil. E, ao recordar, assim,

Toda a infância feliz, a minh’alma se aquece

De um prazer que não sei se um dia terá fim.

Recordo a nossa casa (hoje toda arruinada)

De porta aberta para o mar e para a estrada...

Mas a recordação que no meu sonho cai,

Vem das tardes em que eu rezava a ladainha

Perto de minha mãe, uma humilde velhinha,

E sob o firme olhar piedoso de meu pai.