Olhos castanhos

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Para ter sobre a mesa uma branca toalha

De linho e fresco pão, que é necessário à vida,

Cedo, à hora em que o céu, serenamente, orvalha

O campo, eu começava a dolorosa lida...

Nesta terra ninguém, que, entre espinhos, trabalha,

Sentirá, ao correr uma estrada comprida,

Onde a desolação, tristíssima, se espalha,

O que eu, então, senti na estrada indefinida.

Mas, ó trabalho rude, ao pé das penedias!

Ó calor de abrasar! E vós, chuvas doentias!

E vós, noites de inverno, em céus negros, estranhos!

Não mais éreis senão umas cousas de nada

Para quem tinha toda a alma iluminada

Pela bendita luz de dois olhos castanhos!