OLHOS DE LIZE, OLHOS BELOS, OLHOS PARA MIM FATAIS, QUE UM VOSSO GIRAR SOMENTE ME...

By Nicolau Tolentino de Almeida

Da alva Lize os brancos dentes,

O rosto afável e brando,

A boca. d’onde em falando

Ficamos todos pendentes,

Nos lisos ombros patentes

Soltos os longos cabelos

Não são causa dos desvelos,

Nem das anciãs em que vivo;

Vós sois, vós sois o motivo.

Olhos de Lize, olhos belos.

Vós sois os meus vencedores,

E sois glória do vencido:

De vós me atira Cupido

Mil farpados passadores.

Se vence o deus dos amores.

Vós as armas lhe emprestais.

Que ternos saudosos ais.

Que pranto em vão derramado,

Me não tendes vós custado.

Olhos para mim fatais!

Se o rosto ao céu levantado

Alçais as pestanas pretas.

Logo de brilhantes seitas

Vejo todo o ar cruzado.

Cupido, que tem jurado

Crua guerra à humana gente.

Das nuas costas pendente

Dura aljava, e passadores,

Fará conquistas menores

Que um vosso girar somente.

Quando d’esses claros lumes

Saem as chamas brilhantes,

De mil rendidos amantes

Ouço saudosos queixumes.

Não chameis loucos ciúmes,

Ó Nize, os que em mim causais;

Do poder de uns olhos tais

Quem ha que livar-se possa,

Se a menor perfeição vossa

Me faz temer mil rivais?