OLHOS DE LIZE, OLHOS BELOS, OLHOS PARA MIM FATAIS, QUE UM VOSSO GIRAR SOMENTE ME...
Da alva Lize os brancos dentes,
O rosto afável e brando,
A boca. d’onde em falando
Ficamos todos pendentes,
Nos lisos ombros patentes
Soltos os longos cabelos
Não são causa dos desvelos,
Nem das anciãs em que vivo;
Vós sois, vós sois o motivo.
Olhos de Lize, olhos belos.
Vós sois os meus vencedores,
E sois glória do vencido:
De vós me atira Cupido
Mil farpados passadores.
Se vence o deus dos amores.
Vós as armas lhe emprestais.
Que ternos saudosos ais.
Que pranto em vão derramado,
Me não tendes vós custado.
Olhos para mim fatais!
Se o rosto ao céu levantado
Alçais as pestanas pretas.
Logo de brilhantes seitas
Vejo todo o ar cruzado.
Cupido, que tem jurado
Crua guerra à humana gente.
Das nuas costas pendente
Dura aljava, e passadores,
Fará conquistas menores
Que um vosso girar somente.
Quando d’esses claros lumes
Saem as chamas brilhantes,
De mil rendidos amantes
Ouço saudosos queixumes.
Não chameis loucos ciúmes,
Ó Nize, os que em mim causais;
Do poder de uns olhos tais
Quem ha que livar-se possa,
Se a menor perfeição vossa
Me faz temer mil rivais?