Ondas afora

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Alma triste, através de um nevoeiro denso,

O meu avô paterno olha o horizonte infindo,

E fica a meditar... Leva aos olhos um lenço,

Que nos recorda uma asa alvíssima se abrindo.

É que lembra, por certo, o seu país tão lindo,

Onde uma infância em flor, cheia de aroma intenso,

Ele tanto fruiu, como hoje está fruindo

Dessa recordação todo o fulgor imenso.

Perpassam-lhe, através dos olhares insontes,

As vinhas e os trigais, as campinas e as fontes,

E, à sombra do Mondego, o seu belo casal...

Pudesse ele voar e voaria nesta hora,

Pelo oceano afora, ondas verdes afora,

Por essas ondas que vão ter a Portugal!