Ondina

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando João andava no deserto,

Nutrindo-se de mel e gafanhotos,

Isso nos tristes séculos remotos,

Num tempo que do céu anda bem perto...

Ele que tinha o largo peito aberto,

E os pés descalços, dos espinhos rotos...

Da fé floriam os verdurosos brotos,

Do amor mostrava o nosso campo, certo.

Mas não andava só pelo degredo;

Talvez tivesse algum pavor e medo;

E por isso chamou, num claro dia,

Uma ovelhinha muito casta e doce.

E ela, nesse deserto, talvez fosse

A que hoje tenho em minha companhia.