Ondina
Quando João andava no deserto,
Nutrindo-se de mel e gafanhotos,
Isso nos tristes séculos remotos,
Num tempo que do céu anda bem perto...
Ele que tinha o largo peito aberto,
E os pés descalços, dos espinhos rotos...
Da fé floriam os verdurosos brotos,
Do amor mostrava o nosso campo, certo.
Mas não andava só pelo degredo;
Talvez tivesse algum pavor e medo;
E por isso chamou, num claro dia,
Uma ovelhinha muito casta e doce.
E ela, nesse deserto, talvez fosse
A que hoje tenho em minha companhia.