Oração ao meio-dia

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Casa de tábua, casa humilde. E o sol, a pino,

Baixa fulgurações de metais. Pelas parras

Chiam, rusticamente, as rútilas cigarras;

E a passarada entoa as músicas de um hino.

Perto, um rio parece um manto diamantino

Estendido num fundo azul. Flores bizarras

Abrem corolas de ouro, encantadoras, raras,

Nos veludos da relva. E o mar fulge, divino.

Cheguei. Então escuto um retinir de louça...

E, de mim para mim, ao vento que balouça

As árvores, indago a hora do jantar...

E, chegado que fui à porta da varanda,

Vejo um pão sobre a mesa... E a velhinha Fernanda,

de mãos postas ao céu, começava a rezar.