OS CALOUROS DE S. PAULO

By José Joaquim Correia de Almeida

Invocando o intonso Apolo

de bastos cabelos louros,

eu as frases hoje empolo

em defesa dos calouros.

Sermão, que não encomenda,

escute a rapaziada,

inda que, por minha emenda,

me aplauda com surriada.

o calouro, que devia

achar conforto e hospedagem,

encontra na academia

a recepção do selvagem

Um hóspede tem direitos,

cumprimentos de bem-vindo,

e os cavaleiros perfeitos

dão-lhe o aposento mais lindo.

Ir recebê-lo na porta,

e atirá-lo pela escada,

é ação que não comporta

pessoa bem educada.

Será crime se este moço

lá no sertão do Urucuia,

depois do jantar ou almoço,

só bebia água na cuia?

Muito embora tosco e bronco,

na sua rusticidade

é galho de melhor tronco

que o peralta da cidade.

Branda galhofa inocente,

sem o menor desacato,

é de mérito crescente,

se tem cunho caricato.

Preguem aí seu calote,

empreguem fino debique,

mas não se espanque o filhote

do Barão de Xique-Xique.

Nem se encapelem sobrinhos

do Conselheiro de Estado,

que é o melhor dos padrinhos,

e faz mais de um Deputado.

E entre os calouros lanzudos

há talvez algum que possa

ser, por seu talento e estudos,

salvador da Pátria nossa.

Se veio o couce, o carolo

de Coimbra e suas cocheiras,

imitar o exemplo tolo

é a maior das asneiras.

Se o ano setenta e nove

corrige o setenta e oito,

quem a reforma promove

merecerá um biscoito.

Se nossos prévios doutores

no costume não dão tombo,

ganhe a polícia louvores

sempre que lhes for ao lombo.