OS CALOUROS DE S. PAULO
Invocando o intonso Apolo
de bastos cabelos louros,
eu as frases hoje empolo
em defesa dos calouros.
Sermão, que não encomenda,
escute a rapaziada,
inda que, por minha emenda,
me aplauda com surriada.
o calouro, que devia
achar conforto e hospedagem,
encontra na academia
a recepção do selvagem
Um hóspede tem direitos,
cumprimentos de bem-vindo,
e os cavaleiros perfeitos
dão-lhe o aposento mais lindo.
Ir recebê-lo na porta,
e atirá-lo pela escada,
é ação que não comporta
pessoa bem educada.
Será crime se este moço
lá no sertão do Urucuia,
depois do jantar ou almoço,
só bebia água na cuia?
Muito embora tosco e bronco,
na sua rusticidade
é galho de melhor tronco
que o peralta da cidade.
Branda galhofa inocente,
sem o menor desacato,
é de mérito crescente,
se tem cunho caricato.
Preguem aí seu calote,
empreguem fino debique,
mas não se espanque o filhote
do Barão de Xique-Xique.
Nem se encapelem sobrinhos
do Conselheiro de Estado,
que é o melhor dos padrinhos,
e faz mais de um Deputado.
E entre os calouros lanzudos
há talvez algum que possa
ser, por seu talento e estudos,
salvador da Pátria nossa.
Se veio o couce, o carolo
de Coimbra e suas cocheiras,
imitar o exemplo tolo
é a maior das asneiras.
Se o ano setenta e nove
corrige o setenta e oito,
quem a reforma promove
merecerá um biscoito.
Se nossos prévios doutores
no costume não dão tombo,
ganhe a polícia louvores
sempre que lhes for ao lombo.