Os dois

By João da Cruz e Sousa

— Minha mãe, minha mãe, quanta grandeza

Nesses plácidos, quanta majestade;

Como essa gente há de viver, como há de

Ser grande sempre na feliz riqueza.

Nem uma lágrima sequer — e à mesa

D’entre as baixelas, d’entre a imensidade

Da prata e do ouro — a azul felicidade

Dos bons manjares de ótima surpresa.

Nem um instante os olhos rasos d’água,

Nem a ligeira oscilação da mágoa

Na vida farta de prazer, sonora.

— Como o teu louco pensamento expandes

Filho — a ventura não é só dos grandes

Porque, olha, o mar também é grande e... chore!