OS DOUS BATIZADOS

By Laurindo José da Silva Rabelo

O fogo santo que dá vida à vida,

Chama-se amor;

Botão de rosa, que o pudor defende,

Quando dous corpos este fogo acende,

Desabrocha em flor.

Chorando sangue a virgindade foge,

E mais não vem:

Botão de rosa, no botão fechada,

Depois que a rosa foi desabrochada,

Vida não tem.

Prossegue o fogo, e faz que a flor aberta

Murchando vá;

Mas quase sempre generoso amor

Em recompensa da perdida flor

Um fruto dá.

Desses frutos o mundo se povoa

Em sua imensidade;

Formam eles o grupo da família,

Os reinos, as nações, a maravilha

Chamada humanidade!

Feliz aquele que feliz recolhe

O seu fruto de amor!

Que seguindo da lei divina o trilho,

Como filho de Deus vê no seu filho

Um filho do Senhor!

Feliz o que cumprindo um dever santo

Às santas aras vem,

Fazendo o mesmo que seus pais fizeram,

A Deus, como seus pais outrora o deram,

Seu filho dar também!

Felizes vós portanto neste dia,

Em que da culpa o véu

Rasgando aos olhos de dous novos crentes,

Fizestes de dous anjos inocentes

Dous anjos para o céu!

Folgai, ó anjos, que o espaço é vosso,

A cintilar!

Vede... a estrela da graça se levanta!...

Ganhastes asas nessa pia santa...

Podeis voar!

Voar, meu Deus? Defende-os das torpezas

Do mundo réu;

Pela bondade que teu seio encerra,

Dá que estes anjos sem roçar na terra

Cheguem ao céu!