OS DOUS BATIZADOS
O fogo santo que dá vida à vida,
Chama-se amor;
Botão de rosa, que o pudor defende,
Quando dous corpos este fogo acende,
Desabrocha em flor.
Chorando sangue a virgindade foge,
E mais não vem:
Botão de rosa, no botão fechada,
Depois que a rosa foi desabrochada,
Vida não tem.
Prossegue o fogo, e faz que a flor aberta
Murchando vá;
Mas quase sempre generoso amor
Em recompensa da perdida flor
Um fruto dá.
Desses frutos o mundo se povoa
Em sua imensidade;
Formam eles o grupo da família,
Os reinos, as nações, a maravilha
Chamada humanidade!
Feliz aquele que feliz recolhe
O seu fruto de amor!
Que seguindo da lei divina o trilho,
Como filho de Deus vê no seu filho
Um filho do Senhor!
Feliz o que cumprindo um dever santo
Às santas aras vem,
Fazendo o mesmo que seus pais fizeram,
A Deus, como seus pais outrora o deram,
Seu filho dar também!
Felizes vós portanto neste dia,
Em que da culpa o véu
Rasgando aos olhos de dous novos crentes,
Fizestes de dous anjos inocentes
Dous anjos para o céu!
Folgai, ó anjos, que o espaço é vosso,
A cintilar!
Vede... a estrela da graça se levanta!...
Ganhastes asas nessa pia santa...
Podeis voar!
Voar, meu Deus? Defende-os das torpezas
Do mundo réu;
Pela bondade que teu seio encerra,
Dá que estes anjos sem roçar na terra
Cheguem ao céu!