Os olhos azuis de Edite

By Delminda Silveira de Sousa

Os olhos azuis de Edite

— Duas estrelas mimosas —

Têm a doce transparência

das mansas águas saudosas.

São meigos, lindos, brilhantes

Como os de um anjo de Deus!

— fazem o encanto da terra,

— e são o encanto dos Céus!

Os olhos azuis de Edite

têm mais celeste matiz

do que as turquesas mimosas,

que os miosótis gentis.

Oh! querubim gracioso,

Sob estes lindos cabelos,

como brilham mais formosos

Teus meigos olhos tão belos!

Quando esta face — mimosa

como a açucena só é,

enflora meigo sorriso,

minh’alma o Céu entrevê.

Leve azul da madrugada

espelhado em quedo mar,

gêmeas estrelas mimosas

na esfera brilhante à par;

Não tem mais doce poesia,

nem mais me encantam a existência,

que ver no azul de teus olhos

brilhar a tua inocência.

Se pode haver Céu na terra,

aonde a ventura habite,

será o lar venturoso

onde tu vivas, Edite!