Os olhos de Alaíde

By Delminda Silveira de Sousa

Tens olhos castanhos,

formosa Alaíde,

quem há que os olvide,

tão lindos assim?

Embora alguém diga:

— celestes não são; —

eu provo-o, serão,

divinos, por fim!

São tantos os anjos

que a Virgem rodeiam,

que em torno vagueiam

do Sólio de Deus,

que, certo, algum deles,

terá, graciosos,

os olhos formosos

da cor destes teus!

E eu creio, Alaíde,

florinha singela,

que o anjo que vela

teus sonhos, oh! tem

os olhos brilhantes,

castanhos, tão belos!

e os lindos cabelos

castanhos também!

E penso, querida,

que à face mimosa

da mãe amorosa

que cinge-te ao peito,

também se assemelha

o rosto peregrino

do anjo divino

que vela o teu leito!

Formosa Alaíde,

teus olhos tão belos,

teus lindos cabelos,

são de anjo, são, sim!

Nem mesmo há quem diga

não serem celestes

uns olhos como estes

tão lindos assim!