OS VELHOS

By Delminda Silveira de Sousa

Crianças! se um dia no vosso caminho

Um velho encontrardes, tristonho, sozinho,

Ao peso curvado da idade e das dores,

Por ele passando, saudai respeitosos

O velho, — ruína de tempos ditosos

Coberta de neves, despida do flores.

Os passos que move, penosos e lentos,

Vos lembrem, crianças, que acerbos tormentos

Seu corpo suporta firmado, ao bordão;

Olhai compassivos, falai-lhe piedosos,

Que as meigas palavras dos peitos bondosos

Dão bálsamo às chagas d’inf’liz coração!

Crianças! — os velhos merecem respeito,

Talvez mais que aqueles que trazem ao peito

Ufanas, vaidosas, honrosas medalhas;

Heróis são aqueles que sofrem amarguras,

Que lutam, que vencem da vida as agruras;

E os velhos venceram bem cruas batalhas!

Que glória tão bela, que vida tão nobre

Às vezes s’escondem de um velho bem pobre

No grande, no puro, leal coração!

— Crianças, lembrai-vos que Deus abençoa

Aquele que nunca despreza, magoa

Ou zomba de triste, de fraco ancião!