OUTRA MULATA CLARA CHAMADA JOANNA GAFEYRA CAMARADA DE IZABEL SE DESVIAVA DO POET...
Aqui-d’El-Rei, que me mata,
Gafeira, os vossos desdéns:
eu não vi Parda tão branca
com tão negro proceder.
Como consente, que diga,
que tão grande puta é,
que deixa por um Mulato
um homem de branca tez?
Uma Mulata tão linda,
que da cabeça até os pés
é uma estampa e Vênus
debuxadinha ao pincel?
De vos chamarem Gafeira
vimos todos a entender,
que andais gafa de Mulatos,
e expurgar-vos não podeis.
Morreis pelas palmatórias,
Putinha, porque sabeis,
que sois carreta medida
pelos canhões do seu trem.
E pois estais tão batida,
como muralha de Argel
de tantos canhões de alcance,
quantos Mulatos fodeis:
Daqui vos digo, Putinha,
que me arrependo, de que
meus recados vos chegassem,
pelo muito que fedeis.
Do vosso fedor se queixa
até Sergipe d’El-Rei,
por ser o sovaco, e vaso
putiú, catinga, e pez.
Eu me sinto feder tanto
de haver-vos visto uma vez,
que hei de lavar neste rio
olhos, pensamento, e pés.
Os olhos, porque vos viram,
e o pensamento, porque
o tive de cavalgar-vos,
e os pés, porque nisso andei.
Andai, Puta de torresmos,
porque sois, e haveis de ser
puta de membros torrados
por sempre jamais amém.