OUTRA MULATA CLARA CHAMADA JOANNA GAFEYRA CAMARADA DE IZABEL SE DESVIAVA DO POET...

By Gregório de Matos Guerra

Aqui-d’El-Rei, que me mata,

Gafeira, os vossos desdéns:

eu não vi Parda tão branca

com tão negro proceder.

Como consente, que diga,

que tão grande puta é,

que deixa por um Mulato

um homem de branca tez?

Uma Mulata tão linda,

que da cabeça até os pés

é uma estampa e Vênus

debuxadinha ao pincel?

De vos chamarem Gafeira

vimos todos a entender,

que andais gafa de Mulatos,

e expurgar-vos não podeis.

Morreis pelas palmatórias,

Putinha, porque sabeis,

que sois carreta medida

pelos canhões do seu trem.

E pois estais tão batida,

como muralha de Argel

de tantos canhões de alcance,

quantos Mulatos fodeis:

Daqui vos digo, Putinha,

que me arrependo, de que

meus recados vos chegassem,

pelo muito que fedeis.

Do vosso fedor se queixa

até Sergipe d’El-Rei,

por ser o sovaco, e vaso

putiú, catinga, e pez.

Eu me sinto feder tanto

de haver-vos visto uma vez,

que hei de lavar neste rio

olhos, pensamento, e pés.

Os olhos, porque vos viram,

e o pensamento, porque

o tive de cavalgar-vos,

e os pés, porque nisso andei.

Andai, Puta de torresmos,

porque sois, e haveis de ser

puta de membros torrados

por sempre jamais amém.