OUTRA MULATA, DE QUEM O POETA FALLA ENTRE AS BORRACHAS DO JUIZADO DE NOSSA SENHO...
Marta: mandai-me um perdão
em qualquer continha benta
tocada na vossa venta
passada por vossa mão:
porque ainda que a contrição
que tenho, de que entre nós
haja ofensa tão atroz,
é obra, que tanto monta,
que me hei de tocar a conta,
ou me hei de ir tocar em vós.
Quero, que me perdoeis,
e para me perdoar,
sendo ara do meu altar,
nela é força, me toqueis:
assim me indulgenciareis
por esta obra meritória,
que ofreço à vossa memória,
pela qual no foro externo
podeis livrar-me do inferno,
e levar-me à vossa glória.
Maldita seja a caraça,
que me meteu na cabeça;
que éreis vós, Marta, má peça,
para ir perder vossa graça:
e agora que a vista embaça
em tão alta galhardia,
praguejarei noite, e dia
a patifa, que me ordena,
que pegando então na pena
vos metesse na folia.
Vós sois a gala das Pardas,
e como sol das Mulatas
sombra fazeis às Sapatas,
que presumem de galhardas:
formosuras são bastardas
todas as mais formosuras,
mas eu tomara às escuras
topar vosso fraldelim,
porque novo para mim
assentara-lhe as costuras.