Outubro

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Mês de outubro. Essa luz é de fornalha em brasas.

Alucina, estonteia, embriaga, adormece...

Mesmo sob o arvoredo, o telhado das casas,

À sua irradiação, cada vez mais se aquece.

Escondidas embora, as pequeninas asas

Tremem continuamente. O calor entorpece.

E, nas roças, no morro e nas campinas rasas

Triste da seara em flor, triste da verde messe!

E enquanto esse cristal de luz assim fulgura,

O gado desce à praia, a água do mar procura,

Como se ali houvesse o seu melhor abrigo...

E busca ver no sol, que se retrata à tona,

Uma pedra a rolar, igual a da atafona,

Que à noite lhe dará louras palhas de trigo.