OUVINDO O TEU PIANO
De tecla em tecla o piano em flébeis notas vibra:
Em cada lento acorde uma saudade plange!
Meu coração de chofre estala fibra a fibra,
Como se recebesse o golpe de um alfange!
Em meu olhar, que todo um infinito abrange,
Uma gota de pranto argêntea se equilibra...
Chora o piano... É o rumor que faz uma falange
Angelical que voa e em pleno azul se libra!
Nessa gama feral de angústias e estertores,
Vejo Ofélia passar amortalhada em flores
Na corrente que a embala, ondulando, ondulando...
Tu revelas assim dos mortos os segredos!
Pois sob a compressão dos teus jasmíneos dedos
A alma de Palestrina estorce-se pranteando!