Página antiga
A Maria da Praia humildemente vive
Ainda no engenho, ao pé daqueles dois outeiros.
Ontem, pela manhã, no velho engenho estive,
Em companhia de uns saudosos marinheiros.
Não há no sítio quem com mais graça cative
Os nossos corações! Ainda são tão brejeiros
Os seus olhos azuis! E eu com ela entretive
Longas recordações do amaino dos salgueiros.
A Maria da Praia é cada vez mais moça...
E ao recordar-se bem dos fandangos na roça,
Muito falou em ti, desse tempo querido...
E os seus olhos então ficaram rasos de água...
É que nunca esqueceu a desolante mágoa
Do seu amor por ti jamais correspondido.