Páginas de Boêmia – I Profissão... de fé
Eu não sou d’esses líricos poetas,
Os pajens das princesas de comédia,
Que passam pela vida como ascetas
No corcel da descrença a toda a rédea...
Não penetram no peito dos atletas
Os ciúmes sangrentos da tragédia:
O platonismo das paixões secretas
Morreu co’os menestréis da idade média.
Eu não sou d’esses magros sonhadores,
Que cantam serenatas entre as flores
Dos sombrios jardins de Capuleto...
Enquanto eles constipam-se, ao relento.
— Abrigo-me dos ímpetos do vento
No boudoir de Ofélia sem Hamleto.