Páginas de Boêmia – III

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

Uma vez... que meu crânio a febre atordoava

E uma tristeza atroz o peito me oprimia...

Lembrei-me de cismar no cemitério: ao dia

O rubro sol poente o morno adeus mandava.

A extrema luz do ocaso inda bruxuleava

Na superfície azul da Ocidental baía;

— Aclarando o perfil da escura serrania,

A Lua, vagarosa e pálida, assomava.

Entrei, sombrio e só, na habitação dos mortos,

Onde os nautas do nada, a demandar os portos

Da eternidade, o Céu... afundam-se no chão!

E vi os bons e os maus dormindo todos juntos...

— Quem pode distinguir nos ossos dos defuntos

A Virtude do Vício?... É tudo — podridão!...