Páginas de Boêmia – XI No cáucaso

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

Assim como o cascalho em vão tenta ocultar-se

Na transparência azul dos lagos silenciosos,

Os pensamentos meus, os grandes criminosos,

Que riem-se a chorar... e vivem a matar-se!...

Procuram no meu crânio embalde concentrar-se,

Voam aos seios teus, trementes, voluptuosos...

E quais feras, rugindo em antros pavorosos,

Que a vítima aguardando espreitam-na em disfarce;

Contemplam-te da treva e na mudez te falam...

E como os vagalhões que no rochedo estalam,

Atiram-se a teus pés... volvem ao peito meu!

Seduzes como um crime e atrais como um abismo...

Teus olhos, sóis — girando em céu de magnetismo,

São abutres sensuais... e eu — um Prometeu!...