Páginas de Boêmia – XIV A lenda dos amores I
Tu me pediste, em febre voluptuosa,
E quem pode esquivar-se aos teus desejos?...
Que eu cantasse o romance de teus beijos
Aos sons da minha lira harmoniosa.
Fora preciso, ó pálida formosa,
Para realizar esses almejos,
Ter das harpas-eólias os arpejos,
Brilhos de estrela e pétalas de rosa!...
O mesmo amor, que eternizara o Dante,
Atordoando o cérebro do Tasso,
De Marilia arrojou Dirceu distante...
Pois há de ser também de amor o laço
Que há de unir nossos nomes, doce amante,
Como nós nos unimos n’um abraço!