Páginas de Boêmia – XIV A lenda dos amores II
Se há nos meus livros páginas brilhantes,
Que flutuam no azul do romantismo,
Mais ricas de fantástico lirismo
Hão de ser as estrofes cintilantes
Que descrevam, com tintas cambiantes,
Teus caprichos, teu lânguido histerismo...
E as noites de febril sensualismo
Em que apertas-me aos seios palpitantes.
Dizias ser de gelo — e és de fogo!
Da volúpia no louco desafogo
Revivias... mais morta do que viva!...
Como eras bela assim sem ser esquiva!
Nós éramos coriscos de desejos
No temporal desfeito d’esses beijos.