Páginas de Boêmia – XIV A lenda dos amores III
Tens o sabor dos pêssegos molares,
Um ácido de fruta proibida...
No seio uma volúpia indefinida,
Fluidos fatais nos lânguidos olhares.
És a moderna esposa dos cantares...
A sereia do mar da minha vida!...
Tens n’aparência a calma d’uma ermida,
E a gélida brancura dos luares.
No entanto, Senhora! há nos teus seios
Um Vesúvio nevrálgico de anseios,
Uma sede infinita como o espaço.
É por isso talvez que me fascinas,
Me seduzes, me prendes, me dominas,
Como a atração do ímã sobre o aço.